[Poema] A Rosa

E o que em demasia me pesa conhecer
Foi o que despendi correndo atrás do vento
Quando a rosa que seguia no momento
Tinha uma fortuna avessa à minha.

Lamento a sucessão das ocasiões
Em que meus interesses passionais
Dedicavam-se a cultivar uma rosa
Que não queria do meu modo vingar.

Não era para mim o fruto daquele roseiral
O perfume e a beleza pertenciam a outro
O futuro pungente de ciúmes me alimentou
Esta infame força malquista fez-me marionete
E dia sobre dia constante me secava as forças
Planejando uma conclusão para a situação.

Meu forte juízo por vezes quis quebrar o feitiço
Porém a rosa chamativa, das minhas retinas objeto
Cegava-me o derredor, retirava-me sutil o viço
Destilava, sem piedade ou respeito, o nocivo fel
Quando, na verdade, desejava de seus lábios o mel.

E o dono dessa flor, com direitos a seu favor
Lançou sobre mim a seta da distância
Coisa tal não tolerei, afastar-me da preciosa.
Deixar facilmente minha sedutora rosa
E com infame acesso repentino de fúria
Atingi do moço as costas e com lamúria
Observei a alma desfazer-se do corpo dele
Que vagarosamente caía como reles
Entulho que para mim simbolizava.
E neste instante percebi que ela o amava.

Minha rosa encantada lançou-se à espada
Que era por minhas mãos carregada.

Mortos aos meus pés o homem e a rosa
E por querê-la tanto, demasiadamente
Privei-me dela ali mesmo, tragicamente
Em meus braços finda e não mais rosa.








Comentários

Andarilha disse…
amor..de Romeu e Julieta......mais umavez...tedou meus parabéns...bjs

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